20/04/08

Como levar crianças e bagagens com uma mão só


Meu lema de viajante independente sempre foi: “só levo o que posso carregar”. Ou seja, usava mala e bagagem de mão de rodinhas e sacolas que se prendessem a estas e me virava por aí nos aeroportos com ou sem carrinhos de bagagem. Aprendi até a andar com duas malas enormes: empurrando uma à frente com a mão direita e puxando outra atrás com a esquerda (tente... é muuuuito mais fácil que puxar as duas atrás). Resumo da ópera: nunca dependi da graça masculina pra levar meus badulaques.


Agora, com os badulaques da Lulu, percebi que não tem jeito... Ninguém consegue ser feliz sozinho. Preciso muito dos outros. É bagagem de mão, é chapéu, é a Julia (a bonequinha de dormir, inseparável nos vôos), são os documentos, a água, o chiclete pra enfrentar a aterrissagem... é coisa demais... Continuo com as rodinhas (quádruplas, agora), mas sou completamente dependente. Aceito ajuda de quem quiser dar. Nada como uma mãozinha na vida.


Pra fazer jus à nova regra, cheguei no Club Méd de Trancoso com Lulu pra lá de adormecida nos braços. Resultado? Ninguém menos que o diretor do resort, em pessoa, levou bolsa, mala de mão, mala da Lulu, Julia e naninho até o check-in. Só tive mãos pra equilibrar minha filha e o welcome drink.


(Se alguém tiver algum outro macete, pls, divida comigo)

Não deixe as crianças em casa


Vai viajar? Deixe as crianças em casa uma ova. Jota Pinto Fernandes, querido, eu concordo com você: crianças, especialmente as pequenas, foram feitas para a rotina. Acordam pontualmente antes do que deviam, têm fome no pior momento, não sentem vontade de ir ao banheiro quando há banheiro, não conseguem segurar o xixi no meio da estrada, não carregam as malas, não desfazem as malas, ficam irritadas no melhor do programa, exigem afeto, exigem atenção, exigem colo. Cansam. Sugam. Querem mais. Fazem doce, fazem bico, fazem cena. Choram! Têm febre. Perdem o casaco. E o pior: pedem pra voltar pra casa.


Eu bem que queria dar um rolê pela Europa, cair na balada de Barcelona com a Adriana, conhecer a nova casa da Rachel, em Valência, descobrir a melhor noite de NY com o Rafa, acompanhar a Cindy nas suas aventuras (ela sim... sai pelo mundo livre, leve e solta) ou minha comadre Fabiana na Transiberiana. Eu bem que queria, até, passar mais um daqueles finais de semana on the road. Mas... como sempre repito: ser mãe (ou pai) é ser feliz no inferno.


Lá vou eu pras férias no pior período: o das férias. Aeroportos daquele jeito (não sei o que me espera amanhã). Hotéis cheios. Estradas cheias. Preços mais altos. E por quê? Por que os infantes terríveis – que não comem mais nas mesas separadas, que impõem opiniões, que vivem e não deixam viver, que existem --, os infantes terríveis são a coisa mais deliciosa que há. I´m sorry, Jota. Dispenso beijos, dispenso noitadas, dispenso o silêncio e até a rede, mas não viajo sem minha delícia. Dezesseis quilos + vinte de bagagem. Eu agüento.


19/04/08

Check-list para ajudar na escolha do destino




Se você for tomado pela dúvida na hora de escolher o destino, uma sugestão: responda a esta pequena listinha - se não ajudar, não vai atrapalhar...

Quando: definir a data da viagem (ajuda se você comunicar ao chefe ou aos empregados antes); Quanto: colocar em um papel o quanto se quer (e se pode) gastar;
Onde: restringir o mundo a, no máximo, três destinos;
Como: definir o tipo de viagem – cultural, natural (ops), esportiva etc;
Porque dá: listar um ponto positivo de cada destino;
Porque não dá: listar um pontos- desfavorável de cada destino;
Criançômetro: checar se o lugar escolhido é próprio para os terríveis.

Fça os cruzamentos e vai ficar bem mais fácil decidir.
Perguntei, então, pra minha filhota Lulu se ela quer Bahia ou Ceará e a resposta tão certinha: "Maracangalha, mamãe". Bendito Dorival.
Lá vamos nós de novo. Da Bahia a Bahia. Lá não tem cadeiras de plástico, Riq, lá sou amiga do rei, tenho o sol que quero e a cama que escolherei.

A difícil tarefa de escolher o destino das férias



Falta pouco tempo para as férias de julho. E a pergunta, infalível, já me atormenta: "Onde vou levar as crianças?". Você deve pensar que uma editora de um site de viagens, que trabalha há mais de 13 anos na área, não deveria ter qualquer dúvida neste assunto (ou pior, que eu já deveria estar com tudo planejado). Mas bem como todos os meus amigos e conhecidos, e os conhecidos dos conhecidos que já começaram a me telefonar pedindo dicas e mais dicas e mais dicas, eu também me apavoro com esta tomada de decisão. Pela Lulu, íamos para a África. Ela adora o zoosafári (o antigo Simba safári) e é freguesa habitual ao lado do pai, Ronny Hein, não por acaso outro editor de viagem.
Nós, adultos, estamos escolados quanto às decepções. Se a escolha da viagem der errado, paciência. Mas lidar com as expectativas das crianças é extremamente delicado. Imagine se vou para um dos novos resortões no litoral norte de Salvador e chove? (julho é mês de chuva no Nordeste). Será melhor enfrentar o frio da Serra da Mantiqueira? Ou uma temporada na fazenda (digo, hotel-fazenda)? Será que é cedo pra primeira viagem internacional (temos milhas)? Ai, ai, ai... Vou passar pro outro lado do balcão: aceito palpites. Digam-me, qual o melhor destino para as férias de julho?

23/03/08

Falta muito para chegar?

Os trens da nossa infância... Seria apenas uma singela viagem de puma entre São Paulo e Araraquara. Mas minha irmã e eu mal podíamosconter a excitação. Tínhamos pouco mais de um metro de altura e os trens, pra gente, eram inusitadíssimos, coisa da tia Meire Rachou, uma inglesa independente, elegante e magérrima que casara com o irmão de meu avô. Tia Meire sabia até guiar mas gostava mesmo de lembrar das viagens de sua própria infância, quando se desvencilhava de uma rigorosíssima preceptora alemã.

Nós nunca havíamos entrado num vagão e a espera de sentar em poltronas no último carro e poder ver o trilho no chão era a coisa mais excitante de nossos cinco anos de vida. Lembro-me mais da expectativa da viagem, do que do cruzeiro em si. A contagem dos dias na folhinha da empregada (fazíamos um X), a escolha das roupas, a preparação das malas, as recomendações e recomendações de minha avó... e de cada detalhe do trem de nossa imaginação -- tinha camas (!), preceptoras alemãs, ingleses indo e vindo, maçanetas de ouro, indianos, festa a bordo... quantas histórias inventamos. A viagem real foi ótima, embora parecesse não acabar, giramos nas poltronas do puma, lemos gibis na saleta de fumantes (minha avó fumava), almoçamos no vagão-restaurante... mas na imaginação, ah... o trem da tia Mary voava!

Não muito por isso, mas mais pelos imprevistos, evito dizer pra Lulu que vamos viajar. Pelo menos não com antecedência. Dessa vez, não me contive. Estava tão feliz de ter fechado as passagens aéreas baratinhas que dei o serviço inteiro. Estou presa a elas, agora. Às infindáveis (como as crianças perguntam!) questões de Maria Luiza. “Falta muito?”, “Em qual hotel vamos ficar?”, “Posso tomar água-de-coco?”, “O mar vai estar gelado?”, “Aquele avião é o nosso?”, “Vamos comprar uma mala?”, “Mamãe, mamãaaaaaaaaaaaaaaaaaaae, fala comigo!”, “Mãe, a gente pode levar um brinquedinho?”, “Mãe, você não vai esquecer a Julia (boneca de dormir)?”. “Mãe, mas julho está longe?”. “Vou ficar com saudades dos meus amigos?”, etc, etc, etc...

Ah, os trens da infância! Dá pra contê-los?

Eu não sou esta gente hor-ro-ro-sa que viaja com as crianças


Mudei de idéia. Posso ter pisado nos corais - uma vezinha, vai - e posso ter feito uma ou outra coisa que perturbe a vida alheia, mas, francamente, tenho compostura (como diria minha avó) e passo compostura pra minha filha, Lulu. Com vocês uma listinha de coisas que vi neste feriadão no Bourbon Atibaia que me deram vontade de concordar com a Odete Roitman:



  • O menino crescidinho quer fazer xixi e o pai, displicentemente, tira-lhe o "charuto" (como diz o Antonio da classe da Lulu) e passa a adubar a grama.

  • A senhora entra como quem não quer nada na cozinha do bebê, faz um senhor Nescau, corta a fila pra esquentar no micro-ondas, abre o armário, examina os sacos de bolacha e coloca um pacote inteiro na bolsa e sai com a cara lavada;

  • A mãe embrulha as frutas do café da manhã no guardanapo de papel e coloca na bolsa. Detalhe 1: todas as refeições estão incluídas, inclusive os lanchinhos. Detalhe 2: peço eu, no espaço da piscina, uma maçã para a Lulu agüentar o almoço e ma dão de graça;

  • A criança fura a fila do passeio de pônei, a mãe explica: "crianças, né?";

  • Os meninos (7, 8 anos) invadem o elevador antes que as dez pessoas pensem em começar a sair. O pai? É educadinho: pára na metade da porta, ops, e espera todo mundo passar de ladinho;

  • Buuum! É a porta do quarto do outro ldo do corredor batendo;

  • Buuum! É a porta batendo de novo, às 23 horas;

  • Abre a bocaaaaaaaaaaaaaa: é a mulher berrando para o filho no salão do jantar;

  • A mãe faz um prato de caminhoneiro e o filho, claaaro, não come nem 1/10;

  • O menino não quer entrar no elevador, a mãe o puxa, a porta fecha e ele começa a berrar um rock pauleira. A mãe diz: pára filhinho. Primeiro, segundo... no sétimo andar eu me manifesto: "Dá para você se comportar? Estamos num elevador".

Minha filha é educadinha e eu tento não ser essa gente hor-ro-ro-sa que viaja com crianças.

12/08/07

Eu sou aquela gente horrorosa que viaja com as crianças


Eu sou aquela gente hor-ro-ro-sa que viaja com criancinhas (consegue ouvir o sotaque da Odete Roitman?). Tenho uma filha com rodinha nos pés, dois sobrinhos aventureiros e mil agregados que eu adoro levar junto pra folia. Sim, porque viajar com crianças é, principalmente, viajar para as crianças: adequar a viagem para que elas aproveitem da maneira das crianças o mundo diferente do seu. Quem leva as crianças pro mundo dos adultos, pro ritmo dos adultos pode saber muito de viagem, mas não de crianças. Para fazer uma boa viagem com crianças é preciso esquecer a Odete (e, às vezes, até o berço) para aprender a descobrir o mundo sob o grande olhar dos pequenos.

Eu sou aquela gente horrorosa que viaja com as criancinhas. Eu encaro o choro de dor de ouvido no avião. Eu ando com a saia suja de chocolate. Eu divido prato. Eu repito sobremesa. Eu encho garrafa d'água no bebedor. Eu penduro os maiôs molhados no fio pró-forma do chuveiro. Eu fico até o último minuto da diária - e se tiver spa no lugar, eu fico até o fim do dia e pago pelo banho ali. Eu troco toalha de banho. Eu troco toalha de piscina. Mas eu sou educadinha, Odete, e estou reaprendendo com o Planetinha: não levo nada do mar pra casa; não ligo ar condicionado com a janela aberta; não alimento os animais... e, um dia, vou conseguir viajar sem ligar a TV.